Cidadãos podem apresentar sugestões às áreas da saúde, educação, infraestrutura, dentre outras; prazo para participação popular segue até 24 de novembro
Prefeitura de Palmas abre consulta pública on-line para ouvir população na elaboração do Plano Plurianual
A CAPITAL
A Prefeitura de Palmas abriu a consulta pública para elaboração do Plano Plurianual (PPA) 2026-2029, instrumento que define as prioridades da administração municipal para os próximos quatro anos. Os palmenses podem participar da consulta pública até o dia 24 de novembro, por meio deste link, contribuindo com sugestões e demandas que serão avaliadas para inclusão no planejamento. O Plano deve ser encaminhado à Câmara Municipal até o dia 30 de novembro para análise, aprovação, veto ou acréscimo de emendas à peça orçamentária.
O propósito do PPA é estabelecer diretrizes, metas e objetivos da gestão pública através de propostas apresentadas pela população e pelos poderes Legislativo e Executivo visando ao desenvolvimento da cidade. Dessa forma, o trabalho de elaboração do plano prevê a participação da população, que pode apresentar sugestões às áreas de saúde, educação, infraestrutura, assistência social, entre outras.
Desta vez, o Plano Plurianual é elaborado pela Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão (Seplan). Segundo o secretário-executivo da pasta, Eron Bringel, o PPA dividiu a cidade em nove regiões, de acordo com as características socioeconômicas de cada uma delas, o que possibilita uma maior equidade na proporcionalidade da aplicação de recursos.
Participação popular
O gestor ainda reforçou a importância da participação da população no processo. “O PPA é uma lei que tem vigência de quatro anos, em que o município faz uma proposta de objetivos, metas, indicadores e entregas para a sociedade ao longo desse período. Por isso, a participação popular é de suma importância. Estamos dando a oportunidade da população de contribuir com o PPA, pois é por meio dele que vamos conseguir dimensionar as expectativas para um horizonte de quatro anos”, disse.
Já o secretário municipal de Planejamento e Gestão, André Fagundes Cheguhem, destacou que a forma com que está sendo elaborado o PPA é um sinal de respeito com os cidadãos da Capital. “A regionalização vem para atender uma diretriz constitucional e também presente no Plano de Governo, o que será um diferencial em termos orçamentários. Buscaremos evidenciar o planejamento e os gastos por localidades da cidade, permitindo que uma região mais desigual seja desenvolvida para atingir um nível de equilíbrio social e econômico sustentável, por exemplo”.
PPA/LOA
O PPA tem duração de quatro anos e trará uma estrutura que dialogará com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), plano tático, que estabelece as metas e prioridades para o ano seguinte e orienta a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA). Já a LOA é o plano operacional, detalhando as receitas e despesas para o ano seguinte.
Depois de encaminhado à Câmara Municipal de Vereadores, o documento deverá ser votado e, posteriormente, retornará ao Poder Executivo para sanção do prefeito em exercício e, por fim, será publicado no Diário Oficial como lei.
A CAPITAL
Serviços de Urgência e Emergência às gestantes: o cuidado começa na Atenção Básica
O equilíbrio da rede de saúde materno-infantil no Tocantins passa, inevitavelmente, pelo fortalecimento do serviço obstétrico na Atenção Básica. Dados deste ano evidenciam um cenário que preocupa gestores e especialistas em saúde pública: o Hospital e Maternidade Dona Regina (HMDR), referência estadual em obstetrícia, está absorvendo uma demanda muito acima do esperado, e grande parte dela poderia ser resolvida nas próprias Unidades Básicas e de Pronto-Atendimento municipais.
Localizado na capital, o HMDR integra a Região de Saúde Capim Dourado, e é a maternidade de referência para atendimento hospitalar de média e alta complexidade dos municípios de Aparecida do Rio Negro, Lagoa do Tocantins, Lizarda, Novo Acordo, Palmas e Santa Tereza. Além disso, é segunda ou terceira referência para todas as demais cidades do Estado caso as unidades regionais de referência estejam momentaneamente impossibilitadas de atender as demandas mais graves.
Apesar dessa ampla configuração territorial, a demanda proveniente de Palmas concentrou 4.066 das 5.647 internações obstétricas realizadas no ano de 2024, conforme informações do DataSUS. Na prática, isso significa que 72% de todo o volume faturado pela maternidade estadual naquele ano (R$ 2,8 milhões de um total de R$ 3,9 milhões) correspondem somente às gestantes da capital.
Em 2025, conforme dados apurados até julho, o percentual de atendimentos gerais referente a pacientes de Palmas subiu para 82%, ou seja, das 12.800 pacientes atendidas no período, 10.485 pacientes são de Palmas.
Ao analisarmos a classificação de risco das gestantes da capital, 7.807 casos eram pouco urgentes (74%) e 843 casos eram não urgentes (8%).
Os números expressivos de atendimentos reforçam uma realidade já conhecida pelos profissionais do setor: a imensa maioria dos atendimentos obstétricos que chegam ao HMDR não apresentam perfil de urgência e poderiam, conforme preconizado pelas diretrizes nacionais da Rede de Atenção à Saúde, ser acolhidos inicialmente pelas Unidades de Pronto-Atendimento (UPA’s) e pela rede de Atenção Básica (UBS’s).
Fluxos não observados: impacto direto na maternidade
De acordo com os dados disponibilizados no Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (SCNES), atualizados na base nacional em 30 de novembro de 2025, o HMDR disponibiliza serviço de atendimento ambulatorial com clínicas especializadas, serviço de atendimento de urgência e emergência e serviço de atendimento hospitalar, contando com os seguintes leitos:
– Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Canguru: 6 leitos;
– Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Convencional: 20 leitos;
– UTI Neonatal Tipo II: 20 leitos;
– Cirurgia Geral: 1 leito;
– Ginecologia: 20 leitos;
– Neurocirurgia: 1 leito;
– Clínica Geral: 1 leito;
– Obstetrícia Cirúrgica: 26 leitos;
– Obstetrícia Clínica: 24 leitos;
– Pediatria Cirúrgica: 1 leito;
– Pediatria Clínica: 1 leito.
Mesmo com toda essa estrutura operacional e humana de excelência, o HMDR opera constantemente com capacidade máxima, pois a porta hospitalar se tornou o primeiro destino de mulheres com queixas que, frequentemente, não configuram risco clínico imediato.
Os procedimentos mais realizados, como parto normal sem distocia, cesarianas e laqueaduras, por exemplo, mostram que o hospital vem acolhendo não apenas casos complexos, mas também situações que não justificariam o acesso direto a um serviço de alta complexidade. A consequência disso é direta e preocupante: tempo de espera maior, equipes sobrecarregadas e risco elevado para gestantes que realmente necessitam de atendimento hospitalar especializado e de urgência.
Já existe estrutura para aliviar o sistema de emergência obstétrica
A capital dispõe de duas UPA’s (Norte e Sul) equipadas com salas de observação, leitos, equipes multidisciplinares e protocolos de classificação de risco. A própria política nacional de urgência determina que essas unidades funcionem como porta intermediária, evitando que casos leves sejam direcionados inadequadamente ao ambiente hospitalar.
Além disso, a Atenção Básica, presente em diversos bairros da capital através das Unidades Básicas de Saúde, é o ponto ideal para conduzir o pré-natal, orientar gestantes, monitorar riscos e reduzir procura inadequada por atendimentos emergenciais pouco ou nada graves. Quando esse acompanhamento é falho ou tardio, a porta hospitalar passa a concentrar demandas evitáveis, exatamente o que os números do HMDR comprovam.
Reorganizar o fluxo é urgente
O fortalecimento da Atenção Básica, dos Centros de Especialidades e a utilização adequada das UPA’s com presença de ginecologistas obstetras em regime de plantão, ao menos nos finais de semana, são medidas essenciais e pouco complexas para reorganizar o cuidado obstétrico na capital, mas que gerariam um impacto positivo enorme em toda a Rede de Atenção à Saúde. Isso implementado significa:
– ampliar o vínculo da gestante com sua equipe de referência;
– orientar corretamente os sinais de alerta;
– acolher e classificar riscos de forma resolutiva;
– reservar a porta hospitalar para os casos que realmente necessitam de cirurgia, terapia intensiva ou acompanhamento de alto risco.
Com Palmas respondendo por mais de 70% do movimento obstétrico do HMDR, reestruturar o fluxo assistencial básico é não apenas recomendável, mas indispensável para garantir segurança às gestantes, eficiência do gasto público e um melhor funcionamento da rede de saúde como um todo.
O serviço de emergência do Hospital e Maternidade Dona Regina precisa voltar a ser o espaço prioritário de atendimento às mulheres em situação de risco real. E isso começa pela valorização da Atenção Básica do SUS, a primeira porta, o primeiro cuidado e a base fundamental do sistema de saúde que funciona.
Gustavo Bottós é pai, casado, advogado graduado em Direito pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e reside em Palmas/TO desde 2006; pós-graduado em Direito Público, Direito Civil e Direito Processual Civil; atualmente ocupa o cargo de Diretor-Geral do Hospital e Maternidade Dona Regina, além de ser Consultor e Instrutor de Políticas Públicas credenciado junto ao SEBRAE Tocantins. Ocupou, dentre outros, os cargos de Secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Palmas (2012); Subsecretário de Estado da Saúde do Tocantins (2015); Secretário-executivo de Desenvolvimento Urbano e Serviços Regionais de Palmas (2020/2021); Secretário de Desenvolvimento Econômico e Emprego de Palmas (2022), Secretário de Governo e Relações Institucionais de Palmas (2024) e Secretário da Casa Civil de Palmas (2023/2024).
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