A CAPITAL
Do Zero ao Milhão: empresários tocantinenses transformam pequenas ideias em negócios lucrativos e impulsionam a economia regional
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m um cenário econômico marcado por desafios, inflação e mudanças constantes no comportamento do consumidor, o empreendedorismo tem se consolidado como uma das maiores forças de transformação social e financeira no Tocantins. De pequenos negócios iniciados dentro de casa a empresas que hoje movimentam milhões de reais, empresários tocantinenses vêm mostrando que visão estratégica, persistência e inovação podem transformar ideias simples em operações altamente lucrativas.
Nos últimos anos, o estado acompanhou o crescimento acelerado de micro e pequenas empresas em setores como alimentação, agronegócio, tecnologia, estética, marketing digital, construção civil e comércio eletrônico. Em comum entre esses empreendedores está um fator decisivo: a capacidade de identificar oportunidades onde muitos enxergavam limitações.
O empreendedorismo como motor da nova economia tocantinense
O Tocantins vive um momento de expansão econômica impulsionado pelo fortalecimento do setor produtivo e pelo amadurecimento do ambiente de negócios. Em cidades como Palmas, Araguaína e Gurupi, empresas locais passaram a ocupar espaços antes dominados por grandes marcas nacionais.
Mais do que gerar lucro, esses negócios têm criado empregos, movimentado cadeias produtivas e fortalecido a economia regional. Muitos empresários começaram com investimentos modestos, utilizando redes sociais, atendimento personalizado e estratégias digitais para conquistar clientes e expandir operações.
Para especialistas em desenvolvimento econômico, o perfil do empreendedor tocantinense mudou significativamente na última década. Hoje, há maior preocupação com gestão, posicionamento de marca, experiência do cliente e inovação — fatores considerados fundamentais para a sobrevivência empresarial.
Histórias que começaram pequenas
Por trás de empresas consolidadas existem trajetórias marcadas por riscos, dificuldades financeiras e longas jornadas de trabalho. Muitos empreendedores começaram vendendo produtos pela internet, produzindo em casa ou oferecendo serviços de maneira informal.
Em diversos casos, o crescimento veio após investimentos em marketing digital, profissionalização da gestão e adaptação às novas demandas do mercado. O que antes era apenas uma renda complementar acabou se transformando em empresas estruturadas, com equipes, sede própria e faturamento expressivo.
O setor alimentício é um dos exemplos mais evidentes dessa transformação. Pequenas cozinhas artesanais evoluíram para restaurantes, hamburguerias e marcas regionais reconhecidas. O mesmo acontece com negócios ligados à beleza, moda e serviços especializados.
No agronegócio, produtores rurais também passaram a enxergar novas possibilidades de monetização, investindo em tecnologia, agroindústria e comercialização direta, aumentando margens de lucro e competitividade.
A força das redes sociais no crescimento das empresas
Se antes o crescimento empresarial dependia exclusivamente de publicidade tradicional, hoje as redes sociais se tornaram ferramentas estratégicas para pequenos negócios.
Empreendedores tocantinenses vêm utilizando plataformas digitais para vender produtos, construir autoridade e alcançar consumidores em diferentes regiões do estado. Instagram, WhatsApp e marketplaces passaram a funcionar como verdadeiras vitrines comerciais.
Essa transformação digital reduziu barreiras de entrada e permitiu que empresas locais competissem diretamente com grandes marcas. Em muitos casos, negócios que começaram sem estrutura física alcançaram alto faturamento operando prioritariamente no ambiente online.
Além disso, o marketing humanizado e a proximidade com o consumidor têm sido diferenciais competitivos importantes para empresas regionais.
O desafio por trás do sucesso
Apesar das histórias inspiradoras, empreender ainda exige resistência emocional, planejamento financeiro e capacidade de adaptação. Empresários relatam dificuldades relacionadas à carga tributária, acesso a crédito, custos operacionais e instabilidade econômica.
Outro desafio recorrente é a profissionalização da gestão. Muitos negócios conseguem crescer rapidamente, mas enfrentam dificuldades para manter organização financeira, controle operacional e escalabilidade.
Especialistas apontam que o sucesso sustentável depende de fatores como:
- planejamento estratégico;
- controle de fluxo de caixa;
- posicionamento de mercado;
- inovação constante;
- capacitação empresarial.
Nesse cenário, instituições de apoio ao empreendedorismo têm desempenhado papel importante na qualificação de empresários e no fortalecimento dos pequenos negócios.
Pequenas empresas, grandes impactos
As micro e pequenas empresas representam uma parcela significativa da geração de empregos no Tocantins. Além do impacto econômico, esses negócios fortalecem o comércio local e ajudam a descentralizar oportunidades.
O crescimento de empreendedores regionais também contribui para mudar a percepção sobre o potencial econômico do estado. O Tocantins deixa de ser visto apenas como uma economia baseada no setor público e no agronegócio tradicional para se consolidar como um ambiente fértil para inovação, serviços e novos modelos de negócios.
Para muitos empresários, o lucro financeiro é apenas uma consequência de algo maior: independência, geração de oportunidades e construção de legado.
Uma nova geração de empresários
O avanço do empreendedorismo no Tocantins revela o surgimento de uma nova geração de empresários mais conectada, estratégica e preparada para competir em um mercado cada vez mais dinâmico.
São empresários que compreenderam que crescimento não depende apenas de capital, mas também de visão, posicionamento e capacidade de adaptação. Em um estado em constante desenvolvimento, histórias de pequenos negócios que se transformam em empresas milionárias mostram que oportunidades existem — principalmente para quem está disposto a inovar e persistir.
Enquanto o mercado evolui, uma certeza permanece: o empreendedorismo continua sendo uma das maiores ferramentas de transformação econômica e social do Tocantins.
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Sebrae articula apoio de senadores a ajustes na Reforma Tributária para pequenos negócios
O Conselho Deliberativo Estadual (CDE) do Sebrae Tocantins mobilizou os senadores Eduardo Gomes e Professora Dorinha Seabra em defesa de mudanças na regulamentação da Reforma Tributária que evitem prejuízos às micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional. A pauta inclui a aplicação efetiva da alíquota zero sobre itens da cesta básica e a criação de mecanismos para impedir que estoques adquiridos antes da vigência do novo sistema gerem custos tributários sem compensação. As propostas foram apresentadas durante a 6ª Reunião Ordinária do colegiado, realizada nesta semana, com representantes das 15 instituições que compõem o Conselho, além dos parlamentares.
A iniciativa integra uma articulação nacional conduzida pelo Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae. O objetivo é inserir, no debate legislativo, medidas que reduzam possíveis distorções para empresas optantes pelo Simples Nacional durante a implantação do novo sistema de tributação sobre o consumo.
Entre os pontos apresentados está a extensão da alíquota zero da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) aos produtos da Cesta Básica Nacional comercializados por empresas do Simples Nacional.
Sem esse ajuste, pequenos negócios podem continuar sujeitos a uma parcela de tributação sobre operações que terão alíquota zero para contribuintes enquadrados em outros regimes. Na avaliação do Sebrae, a diferença pode criar desvantagem competitiva para empresas de menor porte, sobretudo em setores ligados ao comércio de alimentos.
A segunda proposta trata da transição para o novo modelo tributário. O pleito prevê crédito presumido sobre estoques existentes em 1º de janeiro de 2027 para empresas do Simples Nacional que optarem pela apuração regular da CBS e do IBS.
A medida tem o objetivo de evitar que produtos adquiridos antes da vigência do novo regime carreguem custos tributários sem possibilidade de compensação. Na visão do Sebrae, a ausência desse mecanismo pode elevar o custo de adaptação das empresas e comprometer a neutralidade tributária prevista na reforma.
Eduardo Gomes, primeiro vice-presidente do Senado Federal, declarou apoio à pauta e informou que poderá contribuir com sua articulação no Senado. A senadora Professora Dorinha também manifestou apoio às propostas apresentadas pelo Conselho Deliberativo Estadual.
Segundo Paulo Carneiro, presidente do Sebrae Tocantins, a discussão não se limita à redução de impostos. “O ponto central é assegurar que a Reforma Tributária não produza um efeito contrário ao previsto na Constituição, que determina tratamento favorecido às micro e pequenas empresas. A transição precisa preservar competitividade, previsibilidade e segurança jurídica para quem empreende”, afirma.
O Sebrae Tocantins foi o primeiro estado a formalizar a apresentação da pauta aos senadores dentro da mobilização coordenada pelo Conselho Deliberativo Nacional da instituição. A expectativa é que as propostas sejam incorporadas ao debate legislativo ainda neste ano.
No Estado, os pequenos negócios representam 95% das empresas em atividade e respondem por mais de 80% dos empregos gerados no Estado. Essa participação evidencia o peso do segmento na economia local, especialmente nos municípios, onde micro e pequenas empresas sustentam renda, circulação de recursos e oportunidades de trabalho. Para Paulo Carneiro, presidente do Sebrae Tocantins, a regulamentação da Reforma Tributária precisa levar em conta essa realidade. “A simplificação só será efetiva se alcançar quem está na ponta, especialmente as micro e pequenas empresas, que enfrentam maior dificuldade para absorver custos, adaptar sistemas e lidar com regras tributárias complexas”, afirma.