Encontro abordou estratégias para eliminar gargalos viários na cidade, especialmente nas rotatórias que concentram o tráfego na região central
Prefeito Eduardo Siqueira Campos discute soluções inovadoras para mobilidade com referência internacional em túneis
A CAPITAL
O prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, se reuniu nesta quarta-feira, 6, com uma das maiores autoridades mundiais em obras subterrâneas, o engenheiro civil Tarcísio Barreto Celestino, ex-presidente da Associação Internacional de Túneis e referência internacional no setor. Mestre e doutor pela Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA), Celestino apresentou estudos e ideias para viabilizar soluções inovadoras de mobilidade na Capital.
O encontro teve como foco o projeto do Corredor de Transporte Coletivo de Palmas, uma das principais iniciativas estruturantes do município, e abordou estratégias para eliminar gargalos viários, especialmente nas rotatórias que concentram o tráfego na região central.
Durante a conversa, Celestino apresentou a proposta de um túnel subterrâneo na Praça dos Girassóis, considerado um projeto inovador que poderá transformar a paisagem urbana e evitar futuros congestionamentos com o crescimento populacional e da frota de veículos. “Felizmente a tecnologia de túneis evoluiu bastante. É um projeto inovador, que muda a realidade e a paisagem da Capital. Palmas está pensando a cidade na hora certa, antes que os problemas cheguem”, destacou o especialista.
Também participaram da reunião o secretário municipal de Infraestrutura e Obras Públicas (Seiop), Paulo Cezar Monteiro; o engenheiro civil Jocélio Mendonça; o diretor de Planejamento da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano, Gaspar Cristino; e o secretário-executivo da pasta, Lúcio Cavalcante.
Projeto ousado
Eduardo ressaltou que contar com um profissional do porte de Tarcísio é um passo importante para o futuro da cidade. “Quando meu pai pensou Palmas, ele vislumbrou o futuro. Agora, estamos pensando em projetos que também olham para frente, para uma cidade mais moderna e acessível. A ideia de integrar soluções subterrâneas é ousada, mas possível”, afirmou.
O prefeito relembrou ainda a trajetória da Capital, marcada por grandes desafios e conquistas. “Palmas sempre foi chamada de ‘a cidade do impossível’. Mas aprendemos que, com planejamento e coragem, aquilo que parecia inviável pode se tornar realidade. Estamos aqui para avaliar a viabilidade de dois túneis que desafogariam o trânsito na área central. Hoje, pode parecer um sonho, mas é um sonho possível”, pontuou.
Tarcísio Celestino reforçou a importância de planejar antes que os problemas se tornem críticos. “É muito raro ver uma cidade no Brasil discutindo soluções estruturantes no momento certo, antes do colapso. Palmas está no caminho certo e eu não tenho dúvida de que, com pessoas empreendedoras, esse sonho será realidade”, concluiu.
A CAPITAL
Sebrae articula apoio de senadores a ajustes na Reforma Tributária para pequenos negócios
O Conselho Deliberativo Estadual (CDE) do Sebrae Tocantins mobilizou os senadores Eduardo Gomes e Professora Dorinha Seabra em defesa de mudanças na regulamentação da Reforma Tributária que evitem prejuízos às micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional. A pauta inclui a aplicação efetiva da alíquota zero sobre itens da cesta básica e a criação de mecanismos para impedir que estoques adquiridos antes da vigência do novo sistema gerem custos tributários sem compensação. As propostas foram apresentadas durante a 6ª Reunião Ordinária do colegiado, realizada nesta semana, com representantes das 15 instituições que compõem o Conselho, além dos parlamentares.
A iniciativa integra uma articulação nacional conduzida pelo Conselho Deliberativo Nacional do Sebrae. O objetivo é inserir, no debate legislativo, medidas que reduzam possíveis distorções para empresas optantes pelo Simples Nacional durante a implantação do novo sistema de tributação sobre o consumo.
Entre os pontos apresentados está a extensão da alíquota zero da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) aos produtos da Cesta Básica Nacional comercializados por empresas do Simples Nacional.
Sem esse ajuste, pequenos negócios podem continuar sujeitos a uma parcela de tributação sobre operações que terão alíquota zero para contribuintes enquadrados em outros regimes. Na avaliação do Sebrae, a diferença pode criar desvantagem competitiva para empresas de menor porte, sobretudo em setores ligados ao comércio de alimentos.
A segunda proposta trata da transição para o novo modelo tributário. O pleito prevê crédito presumido sobre estoques existentes em 1º de janeiro de 2027 para empresas do Simples Nacional que optarem pela apuração regular da CBS e do IBS.
A medida tem o objetivo de evitar que produtos adquiridos antes da vigência do novo regime carreguem custos tributários sem possibilidade de compensação. Na visão do Sebrae, a ausência desse mecanismo pode elevar o custo de adaptação das empresas e comprometer a neutralidade tributária prevista na reforma.
Eduardo Gomes, primeiro vice-presidente do Senado Federal, declarou apoio à pauta e informou que poderá contribuir com sua articulação no Senado. A senadora Professora Dorinha também manifestou apoio às propostas apresentadas pelo Conselho Deliberativo Estadual.
Segundo Paulo Carneiro, presidente do Sebrae Tocantins, a discussão não se limita à redução de impostos. “O ponto central é assegurar que a Reforma Tributária não produza um efeito contrário ao previsto na Constituição, que determina tratamento favorecido às micro e pequenas empresas. A transição precisa preservar competitividade, previsibilidade e segurança jurídica para quem empreende”, afirma.
O Sebrae Tocantins foi o primeiro estado a formalizar a apresentação da pauta aos senadores dentro da mobilização coordenada pelo Conselho Deliberativo Nacional da instituição. A expectativa é que as propostas sejam incorporadas ao debate legislativo ainda neste ano.
No Estado, os pequenos negócios representam 95% das empresas em atividade e respondem por mais de 80% dos empregos gerados no Estado. Essa participação evidencia o peso do segmento na economia local, especialmente nos municípios, onde micro e pequenas empresas sustentam renda, circulação de recursos e oportunidades de trabalho. Para Paulo Carneiro, presidente do Sebrae Tocantins, a regulamentação da Reforma Tributária precisa levar em conta essa realidade. “A simplificação só será efetiva se alcançar quem está na ponta, especialmente as micro e pequenas empresas, que enfrentam maior dificuldade para absorver custos, adaptar sistemas e lidar com regras tributárias complexas”, afirma.