ADMINISTRAÇÃO
Pequenos negócios puxam a fila do emprego no Brasil e batem recorde
ADMINISTRAÇÃO
De acordo com o novo boletim do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), referente a maio de 2025, o país criou 148.992 novos postos de trabalho com carteira assinada. E o que mais chama atenção: as micro e pequenas empresas (MPEs) responderam por 66,8% desse total, o equivalente a 99.539 vagas. Um verdadeiro recorde no ano e uma prova de que o pequeno negócio é, cada vez mais, o grande motor da geração de empregos no país.
Esse resultado consolida uma tendência que já vem sendo observada nos últimos meses. Os pequenos negócios estão sustentando a geração de empregos no Brasil. Desde janeiro, as MPEs já criaram mais de 585 mil vagas formais, muito à frente das médias e grandes empresas (MGEs), que somam 438 mil no mesmo período. Maio marcou o melhor desempenho do ano na participação das MPEs no saldo total de empregos. Para se ter uma ideia, em meses anteriores a participação girava entre 50% e 60%. Em maio, esse número saltou para 66,8% — o maior desde o início de 2025.
Além disso, o acumulado dos últimos cinco meses mostra um cenário consistente e promissor: em todos os meses de 2025, os pequenos negócios lideraram a criação de empregos. Essa constância demonstra que não se trata de um pico isolado, mas sim de um movimento sólido de retomada e crescimento do setor.
Entre os setores que mais contrataram em maio, serviços foi novamente o líder, com um saldo de 50.293 vagas. Esse setor é bastante diversificado e reflete diretamente as necessidades do dia a dia da população. Essas ocupações têm algo em comum: são ligadas diretamente à rotina das pessoas e, muitas vezes, são os primeiros a sentir os efeitos positivos de uma melhora econômica.
Outro destaque de maio foi a construção civil, que criou 20.102 novos postos de trabalho. O segmento vem sendo impulsionado por grandes obras de infraestrutura, como a construção de rodovias, ferrovias e projetos de energia elétrica e telecomunicações. Isso mostra que investimentos em infraestrutura continuam sendo uma importante ferramenta para gerar empregos rapidamente. A indústria de transformação também teve papel relevante, com a criação de 6.898 vagas, em especial nas áreas de fabricação de álcool e açúcar, além de atividades voltadas para logística e cadeia de suprimentos.
O setor do comércio também mostrou crescimento, com um saldo de 19.859 empregos gerados. Destaque para o comércio varejista de produtos farmacêuticos, que continua em alta devido à demanda estável e à sua importância na rotina da população. Essas atividades revelam a força dos setores mais operacionais e essenciais, muitos deles impulsionados pelos pequenos negócios.
O avanço das micro e pequenas empresas na criação de empregos se deve a uma combinação de fatores como, agilidade para contratar e se adaptar, proximidade com os consumidores locais, capilaridade nas periferias, interior e pequenas cidades, apoio crescente de políticas públicas e instituições como o Sebrae. Além disso, com o aumento do consumo e o reaquecimento da economia, muitos pequenos empreendedores estão voltando a contratar para atender à demanda.
Os pequenos negócios seguem firmes como o motor da economia brasileira. Enquanto os grandes ainda se recuperam, são os pequenos que contratam, movimentam a economia local e mantêm viva a esperança de um país com mais oportunidades para todos.
Bruno Vieira é Professor, pós-graduado em Gestão do Desenvolvimento Humano nas Organizações, Gerente da Unidade de Articulação e Competitividade do Sebrae Tocantins, Vice-Presidente da Região Norte da Confederação Nacional das Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais – CONAMPE e Presidente do Conselho de Inovação e Desenvolvimento Econômico de Palmas – CIDEP – Representando a Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais do Tocantins – FAMPEC_TO
A CAPITAL
O jogo é mais parecido do que parece. Copa do Mundo e Empreendedorismo
Se tem um evento que para o planeta, é a Copa do Mundo. Desde 1930, quando tudo começou no Uruguai, seleções de diferentes culturas, estilos e histórias entram em campo em busca de um único objetivo: levantar a taça. Ao longo das décadas, a competição evoluiu, ganhou tecnologia, novas estratégias e virou um verdadeiro espetáculo global — não só de futebol, mas de planejamento, talento e superação.
Agora me diga: isso não parece muito com o mundo do empreendedorismo? Pois é, pode até parecer uma comparação inusitada, mas a verdade é que a Copa do Mundo e o empreendedorismo jogam no mesmo campo quando o assunto é estratégia, preparação e resultado.
Nenhuma seleção chega à Copa só com “vontade”, tirando as seleções anfitriãs. Existe um trabalho pesado antes: análise de adversários, definição de tática, escolha dos melhores jogadores e muito treino.
No empreendedorismo é igual. Antes de abrir ou crescer um negócio, o empreendedor precisa entender o mercado, conhecer seu cliente, estudar concorrência e montar um plano. Quem entra no jogo sem preparo, normalmente volta para a casa mais cedo, tanto na Copa quanto no mercado.
Na Copa, não adianta ter só um craque. Se o time não joga junto, não vai longe. No empreendedorismo, aquele mito do “empreendedor solitário” não se sustenta. Negócio de verdade precisa de equipe: gente que complementa, que executa, que pensa diferente. O sucesso não é individual, é coletivo.
Você já viu seleção considerada “mais fraca” derrotar gigante? Isso acontece direto na Copa.
Por quê? Estratégia.
No empreendedorismo, acontece o mesmo. Pequenas empresas conseguem disputar com grandes quando sabem se posicionar, inovar e se conectar com o cliente. Nem sempre vence quem tem mais recurso, muitas vezes vence quem pensa melhor. Durante o jogo, tudo pode mudar, uma lesão, um gol inesperado, uma expulsão e o jogo vira. No mercado, também. Mudança de comportamento do consumidor, crise, tecnologia nova, tudo pode alterar o rumo do negócio. O empreendedor que se adapta rápido continua jogando. Quem insiste no mesmo plano, corre o risco de ficar pelo caminho.
Quantas finais já foram decididas nos últimos minutos? Ou nos pênaltis?
Empreender é isso também: insistir quando parece que não vai dar, ajustar quando erra, levantar quando cai. Não é sobre nunca falhar, é sobre continuar jogando.
A Copa do Mundo é muito mais do que futebol. É uma aula prática de estratégia, gestão e trabalho em equipe. E o empreendedorismo bebe dessa mesma fonte. Então, da próxima vez que você estiver assistindo um jogo, pense além da bola rolando. Observe as decisões, o comportamento dos jogadores, a postura do time, pois ali tem muito aprendizado que pode ser levado direto para o seu negócio.
Porque no empreendedorismo, assim como na Copa, não ganha só quem joga bem, mas também ganha quem joga certo.
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Bruno Vieira é Professor, pós-graduado em Gestão do Desenvolvimento Humano nas Organizações, Gerente da Unidade de Articulação e Competitividade – UAC do Sebrae Tocantins, Vice-Presidente da Região Norte da Confederação Nacional das Micro e Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais – CONAMPE e Presidente do Conselho de Inovação e Desenvolvimento Econômico de Palmas – CIDEP
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