AGRONEGÓCIO
Produtores pressionam governo por solução às dívidas rurais
AGRONEGÓCIO
O Rio Grande do Sul acumula prejuízos bilionários no campo após quatro anos consecutivos de perdas causadas por estiagens severas, enchentes e instabilidade climática. O impacto sobre a agropecuária é devastador: mais de R$ 100 bilhões em perdas diretas na produção, com efeitos em cadeia que comprometem a agroindústria, o comércio regional e a renda de milhares de famílias rurais. A dificuldade de acesso a crédito, somada ao alto endividamento dos produtores, acende um alerta sobre a sustentabilidade da atividade agrícola no Estado.
Diante desse cenário, a Câmara dos Deputados promoveu uma audiência pública para discutir alternativas à crescente crise financeira enfrentada pelos agricultores gaúchos. O principal pleito levado ao debate foi a criação de um programa nacional de refinanciamento de dívidas com recursos do Fundo Social — formado pela arrecadação da exploração do pré-sal. A proposta prevê linhas de crédito com prazos estendidos de até 20 anos, sem onerar o orçamento da União, permitindo fôlego financeiro aos produtores endividados.
Entidades representativas do setor agropecuário defendem que o uso desse fundo pode garantir uma solução política e definitiva para a crise, semelhante ao que já foi feito em outros setores, como habitação popular. O modelo permitiria ao governo criar um mecanismo de renegociação estruturado, com condições diferenciadas e compatíveis com a capacidade de pagamento dos produtores afetados por eventos climáticos extremos.
Além da reestruturação das dívidas, foram sugeridas medidas estruturantes, como o estímulo a investimentos em irrigação, conservação de solos e tecnologias adaptadas à nova realidade climática. Segundo os participantes da audiência, essas ações são fundamentais para evitar que os ciclos de perdas se repitam, mantendo o campo produtivo e sustentável.
Dados apresentados durante a sessão apontam que, apesar do colapso financeiro enfrentado por muitos produtores, a taxa de inadimplência do crédito rural no Estado segue baixa, inferior a 5%. A estatística é vista como uma prova da responsabilidade do setor com seus compromissos, mesmo diante de uma sequência de safras comprometidas.
Projetos de lei que tramitam no Congresso também foram discutidos, entre eles propostas que autorizam a securitização de dívidas rurais, flexibilizam regras do seguro agrícola e suspendem execuções judiciais contra produtores em situação de calamidade. As medidas, no entanto, ainda aguardam avanço no Legislativo e articulação do governo federal.
Apesar da gravidade da crise e da mobilização das entidades do agro, representantes do Executivo presentes à audiência admitiram limitações orçamentárias e dificuldades para atender à demanda por recursos extraordinários. Mesmo assim, há expectativa de que as reivindicações avancem nas próximas reuniões com o governo e sejam incorporadas em soluções emergenciais e no planejamento da próxima safra.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Tecnologia que cabe no campo: Sebrae aproxima pequenos produtores da inovação na Agrotins 2026
Entre máquinas gigantes, drones e novas tecnologias que chamam atenção na Agrotins 2026, um espaço tem se destacado justamente pela proximidade com quem vive da produção rural no dia a dia. No estande do Sebrae Tocantins, produtores encontram orientação, conhecimento e oportunidades para transformar a realidade dentro da propriedade.
A feira, considerada uma das maiores vitrines do agronegócio da região Norte, reúne inovação, negócios e sustentabilidade. Mas em meio às grandes estruturas, o Sebrae aposta em algo que vai além da tecnologia: o contato humano e o fortalecimento do pequeno empreendedor rural.
Logo nas primeiras horas de visitação, o movimento no estande já era intenso. Produtores, estudantes e visitantes buscavam informações sobre gestão rural, acesso ao mercado, inovação sustentável e soluções que possam ser aplicadas na rotina do campo.
“Às vezes a gente acha que tecnologia é algo distante da nossa realidade, mas aqui eles mostram que pequenas mudanças já podem melhorar muito a produção”, contou o produtor rural João Ferreira, que saiu do interior de Porto Nacional para visitar a feira em busca de novas ideias para a propriedade da família.
Além do atendimento ao público, o espaço promove palestras, consultorias e rodas de conversa voltadas para temas que têm ganhado cada vez mais espaço no agro moderno: sustentabilidade, planejamento financeiro, rastreabilidade e competitividade.
A proposta é aproximar o pequeno produtor das transformações que já estão mudando o setor agropecuário no país.
“Não adianta falar apenas de máquinas e tecnologia de ponta se o produtor não tiver acesso à informação e à orientação. O Sebrae trabalha justamente para tornar essa inovação mais acessível”, explicou um consultor presente no estande.
O tema da Agrotins 2026, “Origem rastreada, qualidade comprovada”, reforça justamente essa nova realidade do agronegócio: um setor cada vez mais conectado à sustentabilidade, eficiência e transparência na produção.
E essa modernização não passa apenas pelos equipamentos expostos na feira. Para muitos produtores, o primeiro passo começa na gestão da propriedade e na busca por conhecimento.
A estudante de agronomia Maria Clara Souza visitou o estande pela primeira vez e destacou a importância da aproximação entre os jovens e o setor rural.
“É importante ver que o agro não é só produção. Tem inovação, gestão, sustentabilidade e oportunidade para quem quer empreender também”, afirmou.
Outro ponto que chama atenção no espaço é o incentivo ao empreendedorismo rural. Muitos visitantes procuram orientação sobre como agregar valor à produção, melhorar vendas e ampliar oportunidades de mercado.
Enquanto tratores e grandes máquinas dominam parte da feira, o estande do Sebrae mostra que o futuro do agro também passa pela capacitação e pelo fortalecimento de quem produz em menor escala, mas tem papel essencial na economia do estado.
Na Agrotins 2026, inovação e desenvolvimento caminham lado a lado com histórias reais de produtores que enxergam no conhecimento uma ferramenta para crescer no campo.
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