Mesmo com menor aceleração, número de empresas abertas segue acima dos fechamentos
Abertura de empresas desacelera em 2026, mas saldo segue positivo no Tocantins
Empreendedorismo
Apesar de um ritmo mais moderado na abertura de empresas no início de 2026, o Tocantins segue registrando crescimento no ambiente de pequenos negócios. Dados do Sebrae Tocantins mostram que, até fevereiro deste ano, foram abertas 5.567 empresas no Estado, enquanto 3.054 encerraram suas atividades, o que resultou em um saldo positivo de 2.513 novos empreendimentos.
Na comparação com 2025, quando o volume de aberturas chegou a 31.891 empresas, o desempenho de 2026 indica desaceleração. Ainda assim, a leitura da série histórica dos últimos cinco anos aponta para um movimento de acomodação após períodos de maior expansão, e não para um cenário de retração econômica. Em todos os anos analisados, o número de empresas abertas superou o de encerramentos.
Em 2024, por exemplo, foram registradas 26.404 aberturas e 14.759 fechamentos. Em 2023, o Estado contabilizou 25.011 novos empreendimentos e 14.335 empresas encerradas. O pico da série ocorreu em 2025, quando o saldo positivo acompanhou o maior volume de abertura de empresas no período analisado.
Segundo Bruno Vilaverde, analista do Sebrae Tocantins, a interpretação dos dados exige uma análise que vá além da comparação pontual entre anos. Para ele, o indicador mais relevante é o saldo empresarial, que permanece positivo. “Quando observamos a série histórica, fica claro que o Tocantins continua abrindo mais empresas do que fechando. O ritmo pode estar menos intenso em 2026, mas o fundamento segue sólido”, afirma. Ele destaca que a desaceleração reflete um ajuste natural do mercado após ciclos mais acelerados. “Um sinal de alerta só existiria se o fechamento superasse a abertura, o que não ocorre. O que vemos é uma economia que cresce com mais cautela, mas ainda cresce.”
A dinâmica positiva também aparece no estoque de empresas ativas no Estado, que cresce de forma contínua desde 2020. Naquele ano, o Tocantins contava com 99.446 pequenos negócios em funcionamento. O número avançou para 111.662 em 2021, 121.281 em 2022 e 131.957 em 2023. Em 2024, o total chegou a 143.602 empresas ativas e alcançou 157.961 em 2025. Em 2026, mesmo com dados parciais até fevereiro, o Estado já soma 160.474 empresas em atividade. “Se observarmos bem, os dados reforçam a resiliência do empreendedorismo local e indicam que o ambiente de negócios segue em trajetória de crescimento, ainda que em um ritmo menos aquecido do que em anos recentes”, ressalta o analista. (Assessoria de Impresa do Sebrae Tocantins)
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Empreendedorismo
Empreendedores apostam na Páscoa para aumentar renda
A Páscoa, para além de seu significado simbólico e religioso, revela, ano após ano, camadas importantes sobre o comportamento do consumo e a dinâmica de empreendedorismo no Brasil. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (Cndl) e do SPC Brasil,106,8 milhões de consumidores devem ir às compras, o que reforça o potencial de faturamento para pequenos negócios em todo o País.
Renda
No Tocantins, esse movimento ganha contornos ainda mais específicos. A força dos pequenos negócios, aliada à valorização crescente de produtos personalizados reposiciona a Páscoa como um momento-chave para geração de receita e fortalecimento de marca. Nesse contexto, o ato de empreender deixa de ser apenas uma alternativa e passa a ser uma estratégia estruturada, inclusive adotada por muitos a partir desse período, em que planejamento, criatividade e leitura de mercado se tornam decisivos para se destacar e faturar.
É o caso da Vanessa Fírveda, de Palmas, que começou como atendente em uma pequena loja de confeitaria, em 2015, onde fez seu primeiro curso na área, mas começou a empreender de fato em 2016, após seu marido ficar desempregado e ela encontrar a solução para ajudar nas despesas por meio da venda de bolos de pote. “Comecei vendendo os bolos na porta da escola dos meus filhos e logo a lanchonete passou a comprar de mim, assim foi aumentando a produção, a partir daí produzia kits escolares com doces, suco e sacolinha com lembrancinha e já fechei mais de seis lanchonetes de escolas. Então, a partir de uma necessidade, surgiu a vontade de empreender na confeitaria artesanal!”, contextualiza a empreendedora.
Diante desse cenário, a confeiteira relata que, apesar da sua renda nas lanchonetes, a Páscoa continua sendo uma época primordial para movimento do caixa. Em anos que não conseguiu aproveitar a temporada, Vanessa sofreu impactos diretos no equilíbrio financeiro do negócio. Segundo ela, a data é fundamental para que possa arcar com outras despesas como matéria-prima, embalagem, gás e energia. “Teve ano que eu não consegui fazer campanha de Páscoa, e foi bem difícil. Muita gente acha que, por trabalhar em casa, a gente não tem tantos custos, mas não é assim. A confeitaria tem despesas como qualquer outro negócio e quando a gente não consegue aproveitar uma data tão movimentada como essa, faz muita diferença”, salienta.
Para o gerente do Sebrae Tocantins, Amaggeldo Barbosa, o sucesso na data está diretamente ligado ao planejamento e à capacidade de inovação. A orientação, segundo ele, é ir além do produto tradicional e investir em valor agregado.
Ele explica que esse planejamento começa semanas antes da data, com a organização que vai desde a compra de ingredientes, por exemplo, até a definição do portfólio. “É importante calcular corretamente o custo de cada produto, considerando matéria-prima, tempo de produção e despesas indiretas, para evitar prejuízo. Também orientamos que o empreendedor trabalhe de maneira equilibrada, oferecendo desde opções mais acessíveis até produtos com maior valor agregado”, destaca. Em casos como o de Vanessa, a Páscoa começa no fim do ano, em que as confeiteiras aproveitam promoções de insumos e começam a planejar temas, cores e tamanhos dos produtos, para em janeiro já começarem processos como testes com o público, montagem de cardápio e precificação.
Outro ponto relevante é o comportamento do consumidor. A maior parte das compras se concentra na última semana antes da data, o que exige do empreendedor capacidade de resposta rápida e organização da produção. “Quem não se planeja pode perder vendas ou comprometer a qualidade. Por isso, recomendamos definir limites de produção, trabalhar com encomendas antecipadas e, se possível, manter uma pequena margem para pronta-entrega”, orienta.
Além disso, ele reforça que a presença digital deixou de ser complementar e passou a ser central na estratégia de vendas. Redes sociais, atualmente, concentram grande parte das encomendas, especialmente entre pequenos produtores. Para Amaggeldo não basta apenas divulgar. É preciso ter agilidade no atendimento, organização nos pedidos e clareza nas informações, como prazos, formas de entrega e pagamento. “A experiência do cliente começa no primeiro contato e se torna um fator decisivo para conversão de vendas”, afirma.
Com o objetivo de impulsionar as suas vendas, Vanessa ressalta que apostou em estratégias simples, mas eficazes, combinando presença digital e proximidade com o cliente. Entre as táticas adotadas, ela enfatiza a oferta de produtos de entrada como forma de atrair novos consumidores. “Também fiz mini ovos, com preço mais baixo, para degustação. Isso chama atenção e faz o cliente conhecer meu trabalho”, explica. Outro recurso utilizado foi a criação de listas de transmissão em aplicativos de mensagens, facilitando a divulgação direta das novidades, prazos e promoções.
A Páscoa como um (re)começo em todos os sentidos
A Páscoa também se destaca como um período de experimentação. Para muitos, é o primeiro contato com o mercado, especificamente com o empreendedorismo, então pode funcionar como um ambiente de teste para quem está começando, devido ao baixo investimento inicial e a alta demanda concentrada, o que torna o risco menor e o aprendizado mais rápido.
De acordo com Amaggeldo, esse caráter de “laboratório” é estratégico para a consolidação de novos negócios. “A partir da experiência da Páscoa, o empreendedor consegue entender melhor seu público, identificar quais produtos têm mais saída e organizar processos. Isso pode ser o ponto de partida para transformar uma atividade sazonal em uma fonte de renda contínua”, aposta.
Entretanto, o gerente acrescenta que, embora o chocolate e doces em geral ainda sejam protagonistas, o empreendedorismo na Páscoa extrapola esse segmento. Negócios de diferentes áreas têm adaptado produtos e serviços à temática da data, como:
- cestas personalizadas com itens variados;
- lembranças e brindes corporativos;
- decoração temática e eventos;
- produtos voltados ao público infantil;
- experiências gastronômicas e kits presenteáveis.
“Essa diversificação amplia o alcance da data e permite que empreendedores de diferentes setores participem do movimento econômico”, evidencia Amaggeldo. (Assessoria de Imprensa do Sebrae Tocantins)
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